quarta-feira, dezembro 13, 2006

Duas pessoas. Um encontro.

Garoava na capital paulista e por incrível que pareça o trânsito não estava tão ruim. Já era início de noite quando ela chegou. Escolheu um lugar confortável, pediu uma água italiana e se distraiu com seu Poket PC. Ele estava um pouco atrasado. Natural, já que a cidade hospedava na mesma semana dois eventos automobilísticos muito importantes. Os minutos passaram rapidamente e sem que ela percebesse, ele chegou e sentou ao seu lado. Ela sorri sem deixar de reparar que ele esta impecavelmente bem vestido. Terno, gravata e abotuaduras em perfeita harmonia, como sempre. Os dois se atrapalham no começo, buscando um local tranqüilo em meio aos barulhos do bar. Pouco depois estavam sentados em um lugar aconchegante, a meia luz, pedindo taças de champangne.

A conversa teve um início formal. Falavam da loucura da cidade, dos hóspedes do Hilton, do estilo do bar, de trabalho. Mas os dois sabiam que estavam ali para falar de segredos jamais compartilhados. Há pouco tempo atrás trabalharam juntos. Ele chefe. Ela apenas uma entusiasta do mundo digital, tentando provar seu profissionalismo e entender seu novo e oitavo chefe, numa hierarquia confusa.
Brindaram ao encontro. Um encontro há muito prometido. E aos poucos, enquanto o champangne tocava suas bocas e línguas, as palavras fluíam soltas pelo ambiente. Sem medo, sem culpa e sem qualquer timidez.

Ela contava segredos da época em que trabalharam juntos. Ele se surpreendia. Ambos se olhavam com um certo desejo contido e uma ternura quase adolescente. Ele estava interessado em seus namorados e ela não deixava de pensar que ele tem outra pessoa em sua vida. Após a primeira hora de palavras mais pausadas, os corpos se soltam formalmente ludibriados pelo perfume um do outro. Ele beija seu rosto com uma certa sensualidade inesperada. Ela se arrepia. Em momento algum ele deixou de ser o cavalheiro que ela tanto admira. As mãos se tocam e sentem o calor do momento. Nunca haviam se tocado antes. Pelo menos não daquela forma. Ali estavam um homem experiente, vivido e uma mulher que começava a entender o mundo adulto com uma leveza maravilhosa. Ele se encantava com seu sorriso, tocava a sua pele e tentava entender onde estava escondida esta mulher que se revelava. Ela estava aprendendo a entender os sinais, jogando com as palavras e com o cabelo firmemente preso em um rabo de cavalo.

Pediram mais uma taça de champangne. Esqueceram do relógio. Deixaram de ouvir os ruídos do local para ouvirem somente a si mesmos. Aos poucos seus corpos foram ficando cada vez mais perto, até que ele encostou seu rosto no pescoço dela, para então sentir seu perfume mais de perto. O coração dela estava acelerado e vivia um prazer delicioso ao senti-lo. O perigo estava ali. Para os dois sem qualquer exceção. O que poderia separa-los além de tudo o que já sabiam? Naquele momento, nada!

Mas os ponteiros ingratos indicavam que deveriam sair do momento de excitação para retornarem a realidade. Ele não perdeu a oportunidade de deixar claro que espera por um beijo sexy, longo e demorado, com línguas entrelaçadas e corpos unidos. Ela ainda tenta entender o que acontece quando o vê e sabe que tem o mesmo desejo de sentir seu gosto, provavelmente proibido!

Estariam eles prontos para embarcar numa aventura louca e perigosa? Teriam algo a perder? Naquele momento nada importava. Antes de se dirigirem ao lobby do hotel, deram um forte abraço e sentiram do que ambos podem ser capazes. O que os separa é exatamente o que os une. Um doce sabor de novidade e de mistério. Esse homem e essa mulher não querem respostas, ainda. Poderia uma aventura não ter sentindo nem compromisso?

O carro dele chega primeiro. A garoa fina continua na cidade. Ele, como um perfeito cavalheiro, espera pela chegada do carro dela se mostrando inquieto pelo horário e pelo interrogatório que enfrentaria em casa. Ela continuava leve como uma pluma e tinha um largo sorriso nos lábios. O carro dela chega finalmente. Os dois se despedem sem promessas, sem compromisso e sem qualquer aliança estabelecida. Os dois partem sem olhar para traz e seguem seus caminhos, com explicações totalmente diferentes sobre a mesma noite. Ela com um convite para um beijo e ele com a expectativa de um.